Aproveitando o balanço do último fim-de-semana, Eu na V-Strom 650 Adventure, o Gregório na Dominator e o Nuno na KLE, voltamos à terra este Domingo que passou.
Encontramo-nos no local habitual, onde as condições climatéricas apresentavam-se boas para mais um dia de verdasca. Aliás, o dia estava a clarear aos poucos e parecia que ia ficar ainda melhor.

Devido a uma prova do Campeonato Regional de Rallye que estava a decorrer na Ribeira Grande, decidimos que seria melhor não explorar os trilhos desta zona da ilha, dado que os mesmos poderiam estar a ser usados pelo Rallye e decidimos ir para os trilhos da zona das Sete Cidades.
A zona das Sete Cidades é muito rica em percursos para a prática do todo terreno, onde existe uma grande variedade de percursos, que vão desde a simples estradões a trialeiras muito complicadas. Mas estes últimos são para a malta das “cabras do monte”
Fizemo-nos à estrada e entramos nos trilhos da Rocha da Relva, trilhos que já conhecemos bem, mas que para o Nuno poderiam ser uma novidade, ou não fosse este o seu 2º passeio na nossa companhia.

Ora aqui está um cenário que podemos encontrar nos trilhos Micaelenses, ou seja, um animal solto e perdido:

É preciso ter muita atenção, porque estes animais que se encotram perdidos podem causar surpresas desagradáveis…
No entanto, o trilho da Vigia das Feteiras já estava à espreita e a adrenalina do pessoal já começava a subir um pouco mais.

Este trilho estava com muita pedra solta e em algumas partes, o piso apresentava-se um pouco duro e com algumas “armadilhas”, como depressões inesperadas ou mesmo pedras semi-enterradas, daquelas que fica só a parte mais em bico de fora e que são muito boas para furar peneus

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O que vale é que o espírito do grupo é sempre de fazer estes trilhos com calma e descontracção, apesar do factor diversão + adrenalina estarem sempre associados. Mas vamos com calma

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Um aspecto que gosto neste trilho é a cobertura de vegetação e canas que possui em algumas partes do trilho. Por um lado torna o trilho mais interessante e dá uma sensação de trilho selvagem e “virgem”, por outro lado, estamos sempre a levar com as canas no capacete e na mota.

Numa das pastagens da Vigia das Feteiras, havia uma grande plantação de milho. Uma imagem bonita.


No fim do trilho da Vigia das Feteiras, apanhamos uma pequena ligação de asfalto e voltamos a entrar na terra. Decidimos fazer os trilhos que vão desde a freguesia das Feteiras até aos Mosteiros, dado que estes trilhos são acessíveis e bons para rolar e as suas curvas são boas para fazer uns “power slides”
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Passamos momentos de grande diversão e o Nuno teve a oportunidade de explorar um pouco mais a condução de pé, dado que este é um tipo de condução que ainda não se sente 100% à vontade.
Mas aos poucos este companheiro está a ficar mais à vontade.


Na freguesia dos Mosteiros, entramos num trilho que sobe a montanha em direcção às Sete Cidades.
Este trilho estava muito interessante, ou seja, estava super enlameado

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A nossa subida foi cautelosa, pois o piso estava super escorregadio, principalmente devido à forte chuvada que tinha caído na noite passada.


Não tivemos muito pó, mas também não faltou lama para animar o grupo.

Isso, abre as perninhas, pode ser que ajude

E por falar em lama

Vai Gregório, acelera


Após alguns quilómetros de lama, iniciamos a nossa descida às Sete Cidades, onde aos poucos a paisagem começava a ficar mais verdejante.

No final da descida, paragem para relaxar um pouco e para a fotografia dos “bravos do pelotão”

Durante a nossa paragem, passaram alguns Moto4, os quais não se inibiram de dar algum espectáculo para a fotografia:


Passados alguns minutos, voltamos à verdasca, porque paragens muito prolongadas quebram o ritmo
Entramos em mais um trilho descendente e que nos levava cada vez mais ao centro das Sete Cidades, onde foram necessários alguns cuidados, dado que havia alguma lama na descida e sinais de derrocadas.



E mais uma ligação por asfalto, na qual é possível visualizar toda a beleza paisagística das estradas sas Sete Cidades. São estradas de montanha enfeitadas com hortênsias, muito verde e um grande prazer de circular aos comandos de uma mota.

Os próximos trilhos eram de grande expectativa e algum nervosismo, pelo menos para mim, pois tratavam-se de alguns trilhos que nos levariam ao famoso Caminho dos 3 Kms, o qual é um trilho em sentido ascendente e que costuma a fazer parte de várias provas de rampa e TT.
Não é que seja um trilho muito díficil, mas se for no Inverno e se for num perído de grandes chuvadas, este trilho costuma a ficar muito partido, ou seja, com muitas valas e regos, que não deixam muita margem para falhas às Maxi-Trails

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Já fiquei atascado neste trilho e em plena subida e não foi nada agradável sair daquela situação.
Mas apesar daquele nervosismo que normalmente sentimos no fundo do estômago

, lá fomos nós.


Nesta zona apanhamos algumas partes do piso feitas de areia vulcânica, o que tornou este trilho ainda mais interessante, pois a condução em areia não é uma situação muito frequente nos nossos passeios.

A dada altura passei a máquina fotográfica ao Gregório, porque isto de fazer uma crónica e não aprecer é lixado, especialmente quando se tem um “mamute” como o meu a verdascar

E íniciamos a subida do Caminho dos 3 Kms… Ai, Ai…


Tal como era de esperar, este Caminho não estava de todo mau, mas também estava longe de estar bom.
Havia lama, muitas lombas, e vários regos provocados por máquinas que se encontram a trabalhar no desbaste de mata.


Nesta subida existem 2 curvas largas que, no caso de grandes “mamutes” (como o meu), convém que sejam feitas de uma só vez, porque existem regos e pedra solta na curva, que, em caso de paragem a meio, poderá causar dificuldades no arranque.

Felizmente, passamos todos à primeira, apesar de uma das curvas apresentar um grande buraco a meio.



Após estas 2 curvas, o Caminho dos 3 Kms torna-se mais acessível e apenas temos que ter cuidado na subida à saída do mesmo, dado que, normalmente, tem o piso em más condições, onde se inclui muito cascalho solto, que causa dificuldades de tracção

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Fiquei impressionado com o Nuno e com a sua KLE neste percurso, dado que conseguiram ultrapassar todas as dificuldades que o mesmo apresentava e, diga-se de passagem, com uma atitude e à vontade surpreendentes

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Ele está à pouco tempo nestas andanças e tem um ritmo muito próprio, mas já dá sinais de evolução. Cá para mim anda a treinar nas horas vagas

No fim do Caminho dos 3 Kms, paragem no miradouro da Vista do Rei, para uma vista que já é cartão de visita para quem visita São Miguel.
O que posso dizer, um ESPECTÁCULO!!!


Neste miradouro era vísivel a grande quantidade de turistas que lá estava e que se deliciava com a vista.
Contudo, decidimos deixar esta confusão e voltar à terra, através de uma pequena ligação pelo asfalto.

O nosso próximo objectivo situava-se na freguesia dos Mosteiros, mais concretamente uma zona de areia, onde já nos foi possível passar momentos bem divertidos.
O percurso de acesso até lá foi sempre em sentido descendente, levando-nos a adoptar um ritmo calmo e prudente.

Quando lá chegamos, ficamos um pouco desiludidos, pois a pequena duna de areia que lá existia já tinha desaparecido

e o piso de areia parecia algo duro, talvez devido à chuvada da noite anterior.




Mas mesmo assim, ainda estavam reunidas condições para alguma diversão e para prática em pisos arenosos.

O Gregório foi o primeiro a verificar se a areia estava mole ou não


O Nuno também não resistiu à tentação de um “burnout” arenoso


Por fim, lá vim eu e o meu “paquiderme”


Bem, tive que mostrar aos meninos como é que se faz um “burnout” a sério

Já perceberam que afinal a areia não estava assim tão dura

Nem precisou de descanso lateral

A verdasca estava a ser boa, mas já estava na hora de regressar a casa. Mas lá por regressarmos não quer dizer que não seja por “maus caminhos”


O regresso a casa foi feito por mais alguns trilhos que nos levaram até à freguesia das Feteiras, os quais não ofereceram qualquer tipo de dificuldades.
A facilidade com que se fez estes últimos trilhos foi muito bem-vinda, dado que já se sentia algum cansaço, associado ao muito calor que se fazia sentir.
Estava um belo dia de Verão!


De salientar que a última parte do passeio foi feita através do trilho da Vigia das Feteiras, ou seja, voltamos a fazer o mesmo, só que em sentido inverso.
No final, uma última paragem e mais algumas conversas, mas já em tom de despedida.
A paisagem da Rocha da Relva ajudou a descontrair um pouco.


E a foto da despedida:

E assim terminamos mais uma grande verdasca!
Foi um óptimo passeio, que nos levou por uma boa variedade de trilhos, sempre debaixo de um clima típico de Verão, onde só mesmo o calor foi a nossa maior dificuldade.
Ok, houve alguns trilhos que me causaram alguns calafrios

, mas no fim a sensação de vitória superava qualquer sentimento mais angustiante
Nota final para a boa disposição que reinou durante o passeio, bem como o espírito de camaradagem.
Abaixo, encontram-se os dados relativos ao passeio:Número de Participantes: 3
Número de Quedas: 0
Tempo Deslocação: 01:57
Parado: 01:35
Deslocação Média: 35.6 km/h
Média Geral: 19.6 km/h
Velocidade Máxima: 174 km/h
Ascenção Total: 1628 m
Elevação Máxima: 590 m
Odómotro: 69.84 km
Mapa com o percurso do passeio:

Boas Curvas!
