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Explicados os motivos tendo como objectivo justificar os meios, estavamos então a sair da Taberna do Horácio. Serra de Arga 13h15m.
Decidimos ir pelo caminho mais curto. Atravessar a Serra.
O tempo não foi um aliado, mas nessas coisas nós não mandamos. Foi o que calhou para este dia.
Chovia intensamente. Havia muito nevoeiro. Não se conseguia ver a mais de 10 metros.
O grupo completo fez-se à estrada. Pensavamos que ia ser fácil.
O Nuno Barbosa e o "Do Binho" iam-nos acompanhar neste percurso "fácil" só porque era mais perto. Iam-se embora mais cedo. Afinal por ali eram só praí 10kms.
Fui a abrir caminho juntamente com o "Do Binho".
O terreno era dificilde de descrever. Se no forum me deixassem usar calão, diria: F*DA-SE!!!
Ele eram regos fundos... mais fundos que a minha roda 21". Eram pedras, era lama e tudo a somar à inclinação natural do terreno faziam uma mistura explosiva!!!
Consciente de que isto ia atrasar as coisas parei. O Mário do Binho parou também.

Estavamos os dois encharcados até aos ossos. Tentei-me abster disso e pensar que estava ali só para andar de mota. Mais nada!
Atrás de nós vinha o grupo todo. Só viamos uns farois. Pela vibração percebia-se perfeitamente que as motos contornavam os regos. As luzes pareciam subir e descer como se alguem andasse a atirar a mota ao ar.

Chegaram os primeiros até nós

O Careca nessa altura disse-me: "Acho que nunca fizemos nada tão difícil"
Ainda estavamos no início... o que vinha pela frente era BEM PIOR!!
Seguimos mais alguns metros

Entretanto aparece a DR e o Mário Cruiser a controla-la.
O Henrique também apareceu. Disse-me que a coisa não estava fácil, mas a mota dele fazia tudo.
Eram 14h00. Parecia que o sol já se tinha posto!
O Caetano estava no seu ambiente natural. Não pediu o livro de reclamações nenhuma vez!!!

Continuamos viagem no percurso que começou difícil...

Pensava a dada altura que "Pior não podia ser".
Enganei-me...

A foto só demonstra o princípio do que foi quase 1km de calvário. Eram pedregulhos escorregadios.
Careca, tinhas razão. Nunca fizemos nada tão dificil.
Aqui o meu subconsciente entrou em acção e comecei a trepar por lá cima até ver terreno mais calmo.
Foi aqui que pensei para comigo: "O nevoeiro vai esconder o caminho e eles vão fazer tudo sem se aperceberem que é difícil".
Era um pensamento estúpido, mas também ninguém racional metia motos de 200kg naqueles sítios, por isso qualquer pensamento era na altura justificado!
Parei logo que pude. Ou melhor, parei onde o terreno me permitiu lançar o descanço lateral!!!

Reunião de emergência!!

A coisa estava muito brava. O silêncio do local era constantemente quebrado pelo barulho de motas a lutar contra as pedras!
Apesar de já ter a minha mota em terreno mais calmo custou-me ver os amigos em dificuldade.
Chamei o Careca e disse-lhe: "Ainda não estamos a meio e começo a ficar preocupado com o terreno. Cada vez se vêm mais sinais da água ter escavado o caminho e podemos chegar a um beco sem saída!"
O Careca ficou tão preocupado como eu. Nessa altura lembrei-me de um amigo que lá tinha estado à cerca de um mês. Em conversa com ele lembro-me de uma frase que ele me disse: "... a subida para a Serra só é chata aquela parte final que tem muita pedra"
Paulo Lança, esse amigo foi o Joka. E quando ele diz que é "chato" é porque deve ser mesmoooo chato!!!
O meu dilema era saber se estava no início, a meio ou no fim da pedra.
Peguei no telemovel para lhe ligar. Estava já em roaming

"Bem vindo a Espanha". Ok, não faz mal, ligo na mesma. Afastei-me alguns metros e liguei ao Joka.
Mesmo a calhar, telemóvel desligado. Fixe...
Fiz de conta que não se passou nada e fui ver como estava a moral do grupo.
As fotos falam por si


Três ou quatro metros acima repousavam as motos dos que já tinham passado os degraus de pedra. O tempo passava de vagar. Parecia quase noite mas nem 15h eram!

Para trás o cenário era este

E foi nesse cenário que o Ricardo se passou. E com razão.
Depois vinha o Miguel Pedro, mas como já está habituado a isto foi com satisfação que o vi a ultrapassar as pedras com menor dificuldade.
Convenci-me de que se o terreno continuasse assim ia abortar e fazer o calvário todo no sentido inverso.
Tinha de voltar à estrada de qualquer maneira.
A cartografia dizia que passava perto um estradão que ligava ao Parque Éolico.
Pedi ao Careca para ir à frente ver como era o terreno.
Esperei alguns minutos e imaginei que não fosse fácil, senão já estava de volta.
Quando regressou trazia boas notícias. Alguns metros acima a estrada era plana!! Era mesmo um estradão!!!
Que fixe!!!
Ainda pensei em continuar mas estava triste. Alguns companheiros foram-se abaixo psicologicamente e resolvi sair da Serra.
Descemos pelo norte em direcção a Viana.
Fizemos 15 ou 20kms em terra batida depois em estrada. Civilização à vista!
É aqui que o Nuno Barbosa, o Ricardo e o Mário do Binho resolvem regressar a casa. Eram 15h30 ou 16h. Não consigo precisar.
Entretanto, os resistentes, encharcados e cansados dizem: "já que estamos assim vamos continuar a andar de mota até ao fim do dia"
Lembro-me da expressão de riso do Serôdio. Fiquei mais confortado.
Diz o Caetano: "Vamos andar à beira mar.. pode ser que encontremos zonas de areia para brincar com as motas"
Siga!
Na primeira rotunda o Careca ficou indeciso!!!

Mas foi uma indecisão temporária! Apontou o nosso destino e lá fomos nós em direcção às praias
TO BE CONTINUED....CENAS DO PRÓXIMO CAPÍTULO: brincadeiras de areia, o meu irmão foi parar com a mota dentro de um canal de água.
Depois de tirarmos a moto o aspecto do local era este:
