Eram 10h e estavamo a rolar em cima das motas.
No meu pensamento ocorreu-me o facto de no dia anterior ter enviado a quase todos o track no entanto ia ter de reduzir cerca de 30 minutos (traduzido em kms nao sabia bem quantos) ao mesmo para que a coisa não descambasse.
Troquei umas ideias com o meu irmão que também conhece a zona e fomos quase directos à primeira dificuldade. Antes tinhamos cerca de 3kms para os aquecimentos.
O terreno era escorregadio. Composto por uma pedra tipo xisto. Dizem que parte da Serra de Arga à muitos milhões de anos esteve coberta por um oceano. Talvez por isso a cor do terreno fosse barrenta e a pedra diferente daquilo que costumamos ver.
Adaptados ao terreno e com o aquecimento feito lá chegamos ao mega corta-fogo.
Paramos a contempla-lo

A contemplação deu lugar à adrenalina e vejo a passar por mim o Careca de gazzzzzz
Pensei que fosse encravar no sitio do costume mas o gajo foi fino! Já conhecia a zona e para evitar os regos do meio fez o corta-fogo escostadinho à direita, que apesar de dificil lá conseguiu passar.
Do sítio onde estava só via a mota dele aos saltos descontrolados. Imaginei que os regos estivessem fundos. Ele teve mãos para a mota e conseguiu fazer aquilo à mestre!
A seguir a ele foi o Cruiser. Encravou nos regos. Caí já com a mota parada e partiu uma manete. Enquanto assistia à cena lembrei-me que a "outra" manete que ele partiu foi no primeiro passeio que fez comigo. Coincidência esse passeio tinha como destino Caminha mas acabou mesmo em Viana. Tinha as ideias todas baralhadas.
Ainda com o Cruiser na parte esquerda da trialeira o Caetano, com pneu novo e farto de dizer "eu quero é lavrar. quero fazer trialeiras e andar de mota" arrancou com a confiança necessária. Sabia que a única hipotese de fugir aos regos era subir pela direita. Lá foi ele

Uma vez mais na zona crítica vê-se a mota do Caetano aos saltos mas também ele conseguiu subir! Boa!!!
Seguiu-se o Mário do Binho. Também confiante fez-se à trialeira. Na zona crítica porta-se bem, conseguiu evitar os regos fundos, passa a maior dificuldade e a meros metros do final a mota faz um desvio para a esquerda, atravessou-se toda no corta fogo e deitou por terra a possibilidade de concluir a subida com sucesso. Foi uma pena pois fez o mais dificil e acabou por não conseguir por um capricho qualquer do terreno.
Este corta-fogo estava assinalado no track no entanto tinhamos alternativas para ele.
Foi o que fiz. Com o restante grupo seguimos viagem até ao topo do monte.










O terreno continuava escorregadio. Com pedras gastas em várias direcções. As mais perigosas eram as que ficavam enviesadas em relação ao caminho que seguiamos. Pelo meio alguns regos escavados pela agua que corria constantemente.
Mais subida menos subida era um percurso rolante.


Chegamos ao topo do monte. Daqui viamos ao longe a Serra de Arga. Também viamos nuvens. Começou a chover com mais intensidade. O capacete de viseira aberta e a velocidade com que conduzia faziam parecer cada gota de chuva um alfinete a picar-me a cara. Mas o prazer de andar de mota era maior e ignorava tudo isso.
Descemos em direcção ao caminho que nos iria levar à Serra. Tinhamos de cruzar uma estrada para passar para o outro lado.







Faltava o Careca e o Ramos que deviam estar a trocar impressões sobre as motas

Deixei-me ficar para trás para tirar uma foto.

Estava a andar de moto com os amigos. Tudo bem que ainda faltavam alguns deles. Nesta altura lembrei-me que podia estar cá o Cabral e o Paulo Twinjet. Com eles o grupo do norte estava completo.
A ideia foi-se porque a atenção à descida obrigava a concentrar-me no terreno



O Vitor Ramos e o meu irmão parece que já andam de KTM Adv à anos! Quem diria


Atravessamos a estrada para o outro lado. O caminho era diferente. Agora tinha muita lama e folhagem o que o tornava ainda mais escorregadio!
Alguns kms depois tinhamos que virar à direita e fazer uma pequena subida cheia de pedra solta, lama, paus. Escorregava mas era fácil. O grupo anda bem.





O César fazia o seu segundo passeio com a Dominator. Nesta altura ainda não sabia, mas no final do dia tenho a certeza de que ficou preparado para tudo.


O restante grupo esperava a vez para se meterem no corta-fogo.

O professor de ginástica que está um PRO!




E estavamos no início da segunda dificuldade. Se me permitirem classificar em duas partes, este corta-fogo enorme com quase 4kms tem duas partes dificeis. A primeira é já no início onde faz literalmente um "S". Os regos e a inclinação tornam-no dificil, mas nada de especial. O grupo conseguiu supera-lo sem problema.



Depois do "S" algumas rampas traiçoeiras. Era preciso entrar com velocidade

O Ricardo apesar de estar à vontade com a GS, a falta de pneu castigou-o nesta rampa. A mota atravessou-se toda. Nada que não fosse resolvido com uma segunda tentativa. Grande domínio do homem sobre a máquina. Subiu com a mota a sacudira traseira.



Mais uma rampinha, e ainda no corta-fogo





Entretanto para alguns - Careca e Caetano - como se não bastasse a dificuldade do terreno, ainda quiseram fazer por um sítio ainda mais dificil. As fotos estão tremidas porque foram tiradas à pressa, mas mostram bem a insanidade dos pilotos





Entretanto o resto do pessoal passava ao lado por uma sítio também ele difícil mas abaixo da categoria Erzberg.
O Nuno Barbosa com um andamento imensamente superior aquilo que vi da ultima vez que veio comigo ao Norte.

O Henrique. Ninguém dá por ele. Baixo perfil mas que faz tudo!!!

De repente surge a segunda dificuldade

Todos parados a contenplar a subida

O Serôdio fez-se a ela e subiu-a toda sem espinhas!
Depois foi a vez do Nuno que encravou a apenas 3 metros do final! Parabéns. Estás a ficar um piloto do carago!!

A mota que se vê na foto é a do Careca. Depois de andar a subir paredes resolveu deitar-se para o chão só para assustar o pessoal!

A esta altura o restante grupo já se tinha passado. Foram pela alternativa uma vez mais até ao topo do corta-fogo.
A operação de remoção da mota do Careca demorou!





Lá subiu ele



Seguido do Caetano


Do meu irmão e do Mário do Binho que também subiram sem espinhas

Eram 11h30. Estavam superadas as dificuldades (da manha). Iamos agora a rolar até à aldeia de Arga de Baixo.
Ao fundo, absorvida pela nuvel está a Serra de Arga. Nem as eólicas conseguiamos ver!

Disse ao Caetano para ir a azimute para a direita e parar na ponte.
Perguntou-me "Que ponte??"
Ao que lhe disse: "Vais e tentas seguir os caminhos à direita. A ponte vai estar lá à espera"




Ó César, se o Mikas sabe que tens esse autolante está tudo f*did*






Estavamos do lado Este da Serra de Arga. A poucos metros do cume. Chovia com alguma intensidade.
Do outro lado da Serra estava o Mar!
Iamos contorna-la pelo lado norte, subi-la e descer a Viana. Iamos..........


Gosto especialmente da paisagem da Serra

No ponto de encontro lá estava o grupo. Em cima da ponte.
O Cruiser meteu a anfíbia DR a passar o Rio. Alentejanos... ponham os olhinhos nisto!


Seguimos viagem até à aldeia. Eram 11h50m. Estavamos com fome. No raio de muitos kms só há uma taberna!!!



A paisagem é linda! No momento em que tirei esta foto:

No momento em que tirei esta foto, o Nuno Barbosa passou por mim e disse-me: "Espectacular Morais. Isto é magnífico. E até está a ser fácil."
Se o passeio acabasse aqui para mim seria perfeito. Tinhamos ido embora todos contentes. Alguns iam insatisfeitos porque queriam andar mais de mota, mas a análise global ia ser positiva.
Seguimos viagem.
Aldeia rurar. Ao fundo um rebanho de ovelhas



Resolvemos fazer umas pedrinhas na encosta da Serra. Nada de especial. Todos se portaram bem.









Para quem já assistiu a provas do Nacional de Enduro, eles passam em sítios mais fáceis que estes







De GS é mais complicado, mas faz-se



A dominator escorregou numa pedra traicoeira



Alecrim. Planta decorativa e simbolo do natal...


E chegamos ao local do almoço. A Taberna do Horácio.
Chovia certinho. A taberna estava fechada. Não havia mais nenhuma num grande raio de Kms e estavamos com fome!
Solução: bater à porta como cães esfomeados. Todos chamavamos pelo sr. Horácio!!
Alguns -longos- minutos depois veio uma senhora à janela: "O que é que querem??"
A resposta foi natural: "Queremos comer"
Ao que ela respondeu: "Esperem um bocadinho, estamos a acabar de comer e já vamos"
Esse bocadinho foram praí 10 minutos à chuva... Que fome........
Entretanto a taberna abriu as portas e os clientes entraram

As motas ficaram cá fora à chuva

O ambiente era rústico. A fazer lembrar aqueles bares em Marrocos


No wall o fame estava o Toy!!! "Chama o antónio... chama o antónio..."

Ao lado estavam pendurados uns chifres de cabra. Sem se aperceber, o Nuno deixou-se fotografar por mim


Aproveitou o momento para mostrar ao Careca que por baixo do equipamento usava uma camisola de alças toda panisgada feita em neoprene. O careca pediu para ele tirar a camisola, mas ele não acedeu ao pedido. Que pena..

Estavamos dentro da Taberna do Horácio. Eram 12h20m. A ementa era: Pão com chouriço, queijo ou presunto, ou combinações entre os três.


Demos cabo do stock do pão. O Vitor Ramos dizia-me "Este pão é bom..."
Era um pão normal, mas a fome..... depois lá corrigiu: "Sabes qual é o melhor tempero para a comida?? É a fome!"
E era! Que rica sandes. Soube a pouco. Se houvesse mais pão, mais comia! Paguei cerca de 4€ pela sande, dois pacotes de batatas para ajudar a encher e duas fantas em lata. Barato e bom.
TO BE CONTINUED....CENAS DO PRÓXIMO CAPÍTULO DA NOVELA MEXICANA: Subida à Serra de Arga

Hard Core Baby!!!